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Jazz no Rio Vermelho: Luedji Luna e Mayra Andrade Elevam a Sonoridade Afro-Americana em Salvador

Jazz no Rio Vermelho: Luedji Luna e Mayra Andrade Elevam a Sonoridade Afro-Americana em Salvador

Vários sons, ritmos, vozes, instrumentos e muito jazz

Créditos: Caio Lirio (@caiolirio)

Música instrumental, alegria, mistura de ritmos e cultura para todos os gostos. Sob brisa do mar ou a água da chuva, o Festival Salvador Jazz realizado no bairro do Rio Vermelho, neste final de semana (18 e 19.05), atraiu amantes e admiradores do estilo musical afro-americano que tomou conta do mundo e transformou Salvador em capital do Jazz.

Fabricio Mota, curador do Festival Salvador Jazz em parceria com Fernanda Bezerra, conta que a ideia era construir uma programação que representasse a diversidade, reunindo diferentes artistas que trabalham com o jazz como arte primária e fazem do jazz motor de expansão musical. O resultado: oito shows, praça lotada e um público que traduzia nos passos a harmonia de cada acorde musical.

Mota revela que o Salvador Jazz é uma oportunidade de fazer a arte circular para que a cidade se comunique com a música. “Vemos como a cidade segue ocupando esse lugar potencial para a música instrumental e temos que celebrar essa grandeza que é a música negra. Somos um desses centro de referência da música negra, e para mim é uma grande honra fazer parte dessa história”, comentou.

O grupo feminino Jam Delas abriu a primeira noite do Festival Salvador Jazz. Para Daniela Natali, integrante da banda, a sensação é de acolhimento pela cidade, um momento importante para as mulheres instrumentistas de Salvador “É como se estivéssemos abrindo espaços para que outras mulheres instrumentistas possam vir e para as que estão fazendo música, aquilombar-se. Mostrar que nós mulheres, podemos estar em qualquer espaço, inclusive no Jazz”.

Bixiga 70

Amanda Teles, integrante da banda paulista Bixiga 70 ficou emocionada ao assistir a apresentação das meninas do Jam Delas. “Para mim é maravilhoso enquanto mulher preta, ver mulheres neste lugar. É maravilhoso me apresentar no estado de pessoas e de cultura preta, lugar que me inspirou e é base da minha pesquisa musical.”

Para finalizar a segunda noite, a cantora baiana Luedji Luna fez o público cantar e dançar ao som de suas canções do álbum Bom Mesmo é Estar Debaixo d’Água – Deluxe e antigos sucessos da sua carreira. “É um prazer estar na minha cidade, cantar na minha cidade“, comentou a artista.

Animação não faltou para Eliguara Ynaê, a soterapolitana estava há mais de 20 anos morando fora de Salvador e ao retornar encontrou o Festival Salvador Jazz. “Isso aqui é para todos nós afro-latinos que acreditamos que a música e a arte renovam nossa alma, nutre a nossa existência de fé e esperança. Um festival como esse nos alegra e impulsiona a seguir acreditando que podemos construir um mundo melhor”.

Para comprovar a metáfora do álbum citado da baiana Luedji Luna, foi mesmo debaixo d’agua que o público permaneceu na segunda noite do Festival Salvador Jazz. A chuva que caia do céu mais parecia gotas de alegria. Um festival bonito de ver e participar. O Maestro Ubiratan Marques levou ao palco a música que tem o mesmo nome do seu último álbum – Dança do Tempo. Apaixonado por festivais,o fundador da Orquestra Afrosinfônica ressaltou que por mais que o jazz esteja relacionado à música americana ele o define como música instrumental de improvisação. “A música é como a chuva. No lugar onde ela cai ela toma forma”, comenta ao lembrar que o festival é um espaço onde a música faz refletir. “É música para  você manter o pé no chão. É importante ter a [música] de tirar o pé do chão no carnaval, estravassar um pouco, mas é importante  ter uma música para você colocar o pé no chão e o Festival faz isso”.

O Spok Quinteto colocou o público para dançar ao som do frevo. Maestro Spok ressaltou as conexões musicais entre Bahia e Pernambuco, falou da sua admiração pelo saudoso Letieres Leite e das parcerias com artistas baianos como Ivete Sangalo e Daniela Mercury. “Salvador é um lugar de grandes músicos e estar no mesmo palco que o maestro Ubiratan Marques é muito bacana. Trazer a música que nasce nas ruas estreitas da nossa cidade para um festival que só tenho a desejar vida longa, foi maravilhoso, lindo e emocionante”. Ao final do show, o maestro homenageou Luiz Gonzaga, Moraes Moreira e Gal Costa.

Mayra Andrade

Uma das atrações mais esperadas no Festival Salvador Jazz foi a cantora cabo-verdiana Mayra Andrade. Em um show intimista, voz e violão, as palavras em crioulo das suas canções mais pareciam partes do dicionário brasileiro da tamanha a naturalidade que o público cantava em coro, indo ao delírio a cada pedido de interação da artista. Contente por estar se apresentando em Salvador, Mayra Andrade explicou que o repertório foi composto por músicas de sua autoria e que algumas das suas conhecidas canções poderiam não ser apresentadas na noite mas seu repertório contagiou, emocionou e foi uma linda estreia da sua turnê “ReEcanto” que teve seu inicio justamente aqui em Salvador e ainda percorrerá outros estados brasileiros; São Paulo e Rio de Janeiro.

O Festival Salvador Jazz levou ao palco apresentações com muita autenticidade; como a originalidade do cantor carioca Jonathan Ferr que cantou vários hits de sucesso como “Cura” e“Meu Sol”, a alegria da banda Sonora Amaralina, que se dedicam à interpretação da cumbia, um ritmo popular da América Latina. e toda a versatilidade de Marcos Suzano, um dos últimos diretores artisticos do Festival Perc Pan.

Confira mais registros do Festival de Jazz:

Créditos: Caio Lirio e Cíntia Matos

Texto Aní Bárbara

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