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Música de preto sim! Honrando as tradições do passado, Salvador sedia festival de Jazz e cultura negra

Música de preto sim! Honrando as tradições do passado, Salvador sedia festival de Jazz e cultura negra

Com participação da cabo-verdiana Mayra Andrade, Luedji Luna, Jonathan Ferr e Bixiga 70, evento gratuito relembrará a arte que nasceu das experiências e das emoções do povo negro 

Luedji Luna

Ao longo dos anos, o jazz transcendeu fronteiras e se tornou um fenômeno global, mantendo suas raízes profundamente enraizadas na experiência negra, mas também absorvendo influências e se reinventando em diferentes contextos culturais. Essa capacidade de evoluir e se adaptar é uma das marcas distintivas do gênero, que continua a cativar audiências ao redor do mundo com sua improvisação, rica harmonia e ritmo pulsante.

Considerado uma manifestação artístico-musical originária de comunidades de Nova Orleans, o jazz é uma forma de arte que nasceu das experiências e das emoções do povo negro nos Estados Unidos, especialmente durante os tempos de segregação racial e luta por direitos civis. Suas raízes estão entrelaçadas com o blues, um gênero que emergiu das canções dos trabalhadores escravizados nas plantações de algodão do Sul americano.

Essas músicas eram uma expressão de dor, resistência e esperança, capturando as realidades da vida sob opressão e a busca incessante por liberdade e dignidade. Dentro deste contexto, programado para acontecer de forma gratuita em Salvador – cidade mais preta fora do continente africano nos dias 18 e 19 de maio, o Festival Salvador Jazz representa um momento de conexão profunda entre a música e a história do povo negro, especialmente em uma cidade conhecida por sua forte presença afro-descendente.

Mayra Andrade

A cidade baiana, por sua vez, carrega consigo a herança e a memória da Diáspora Africana de maneira marcante. É um lugar onde as tradições ancestrais se entrelaçam com a modernidade, onde a música é mais do que entretenimento, é um modo de vida e um veículo de expressão cultural. Nessa perspectiva, o aguardado evento torna-se uma celebração não apenas da música em si, mas também da história e da identidade do povo negro.

A importância de festivais como esse vai além do entretenimento e da apreciação estética. São espaços de afirmação e representatividade, onde artistas negros têm a oportunidade de mostrar seu talento e de compartilhar suas histórias e suas perspectivas únicas. Nomes que estão na programação como Luedji Luna, Mayra Andrade, Jonathan Ferr, Ubiratan Marques e Bixiga 70, Jam Delas, Spok Quinteto, Sonora Amaralina e Marcos Suzano e tantos outros, são portadores de uma tradição e de uma herança que merecem ser celebradas e valorizadas.

Além disso, o festival também destaca a importância das mulheres negras na cena musical contemporânea. Muitas artistas estão liderando o caminho, trazendo inovação, sensibilidade e poder às suas performances. Com isso, quebram barreiras e inspiram uma nova geração de músicos e artistas, ao mostrar que a diversidade e a inclusão são fundamentais para a evolução e o enriquecimento da música.

A presença de artistas emergentes no cenário do jazz durante o festival reforça a vitalidade e a relevância contínua desse estilo musical. Esses novos talentos honram as tradições do passado e adicionam camadas inovadoras ao jazz, mantendo-o relevante e atrativo para audiências contemporâneas. Podemos considerá-los  a próxima geração de músicos que estão moldando e impulsionando o futuro do jazz, demonstrando que, mesmo em um mundo em constante mudança, a autenticidade e a paixão pela música podem transcender fronteiras e conectar pessoas de todas as origens e experiências.

O Festival Salvador Jazz é mais do que um evento musical; é um reflexo da resiliência, da criatividade e da beleza da cultura negra. É um lembrete de que a música tem o poder de unir, inspirar e transformar, especialmente quando enraizada nas experiências e nas tradições de um povo. É um convite para celebrar a diversidade, a herança e o talento que tornam a música jazz e a cidade de Salvador tão extraordinárias.

O evento que traz uma programação estudada, vai acontecer no Largo da Mariquita, no Rio Vermelho, considerado o local mais boêmio da capital. O Festival Salvador Jazz faz parte do calendário oficial de Salvador, e por isso tem apoio da Prefeitura, através da Empresa Salvador Turismo. Realizado pela Maré Produções, o Festival também conta com patrocínio do Ministério da Cultura e da Aiwa.

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