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Tendência em D&I, preocupação com cadeia de valor deve aumentar em 2024

Tendência em D&I, preocupação com cadeia de valor deve aumentar em 2024

Após casos de violação de direitos trabalhistas e apropriações culturais, a cadeia de empresas fornecedoras entra na pauta de Diversidade & Inclusão para 2024, com empresas mais preocupadas em garantir compras mais inclusivas, aponta Integra Diversidade.

Brasil, janeiro de 2024 – A jornada dentro da pauta de Diversidade & Inclusão nas organizações tem levado algumas empresas a ampliar essa agenda para abarcar pessoas e empresas fornecedoras. Ainda que seja necessário avançar em muitas temáticas, os casos de violações de direitos trabalhistas fundamentais e apropriações culturais de determinadas identidades em jogadas de marketing vem apontando maior preocupação de diversos setores em com a cadeia de valor e a necessidade de adotar compras mais inclusivas.

Segundo Keyllen Nieto, cofundadora e consultora da Integra Diversidade, ainda são raras as empresas no Brasil que consideram as ações de diversidade como parte do negócio, para além dos muros da empresa. Com a sociedade mais consciente, porém, o público consumidor vem se atentando cada vez mais para isso. “É necessário envolver a visão de DEIP (diversidade, equidade, inclusão e pertencimento) em todas as etapas de um negócio, desde a aquisição de matérias-primas até a entrega final do produto ou serviço. Ainda é um movimento tímido, mas que vem crescendo em alguns países a partir do momento que as sociedades vêm ampliando o debate a respeito dos direitos, da visibilidade e do reconhecimento financeiro das pessoas dentro da cadeia de valor”, explica a especialista.

As compras inclusivas, dentro de uma lógica de valorização das mais diversas entidades fornecedoras ajudam nesse processo. São práticas, estratégias e diretrizes que promovem a inclusão de grupos sub-representados em toda a cadeia de suprimentos e nos processos de compras de uma organização, criando oportunidades dirigidas à inclusão de empresas e pessoas fornecedoras pertencentes a esses grupos, causando impacto social, reduzindo desigualdades e fortalecendo a sustentabilidade do mercado.

“Até hoje, a lógica de ‘custo-benefício’ desde uma perspectiva exclusivamente monetária vem tocando as decisões das organizações, sem questionamentos quanto às boas práticas, custos ou benefícios de governança, sustentabilidade e DEIP. Mas estamos percebendo que, se antes não havia qualquer preocupação com a agenda ESG entre empresas e pessoas fornecedoras, agora o cenário se mostra mais favorável ao debate, especialmente após alguns casos evidenciarem a importância do tema em 2023 no Brasil e no mundo”, comenta a especialista.

Segundo Nieto, empresas e pessoas fornecedoras enfrentam muitas barreiras desproporcionais em seus negócios, tais como acesso limitado a crédito e a recursos financeiros, capacitação e oportunidades comerciais justas. Uma solução possível seria adotar o critério de compras inclusivas. “Com essas práticas conseguimos começar superar os obstáculos, criando um ambiente propício para a participação equitativa e respeitosa de todas as partes nos processos de aquisição de bens e serviços”, destaca.

A especialista lançou recentemente um capítulo dedicado ao tema no segundo volume do livro “Diversidade e Inclusão e suas dimensões” (organizado por Luciano Amato, pela editora Labrador), junto de Maite Schneider e Alessandra di Castro, autoridades quando o assunto é a promoção de programas de DEIP nas organizações. Segundo elas, ao se levar a lógica ESG, cada vez mais colaborativa e regenerativa, para a cadeia de valor, a empresa mostra o quão comprometida está com a agenda, por valorizar a importância de trabalhar com empreendimentos e pessoas fornecedoras que compartilham os mesmos valores ambientais, sociais e de governança que elas.

Além de impulsionar o sucesso das ações em DEIP, as compras inclusivas também trazem outros benefícios para o negócio, de acordo com as consultoras. Keyllen Nieto destaca entre eles o acesso a talentos diversos, diálogo com novos públicos consumidores, responsabilidade social e melhoria da reputação, promoção do desenvolvimento econômico e diminuição das desigualdades econômicas e sociais, entre outros.

Como aplicar o conceito de compras inclusivas em uma empresa?

No trabalho realizado com as organizações, Keyllen, Maite e Alessandra destacam que é indispensável ter clareza para definir quais produtos ou serviços podem ser fornecidos por pequenos negócios ou pessoas.

“Depois da estratégia é preciso qualificar o setor de compras, para que possa elaborar melhores processos e chamados que incentivem a participação de micro e pequenas empresas que comprovem a sua atuação em diversidade e inclusão”, explica Keyllen Nieto. Ela ressalta ainda que outros aspectos são importantes para se adotar a prática e relaciona alguns pontos importantes:

  • Diversificar a origem geográfica do fornecimento, evitando a centralização em torno das principais cidades e a concentração de riqueza em apenas uma região;
  • Conhecer as características e necessidades de pessoas e empresas fornecedoras que pertencem a grupos sub-representados;
  • Ter na área de Compras pessoas que pertençam a esses grupos, com acesso a redes e canais de fornecimento diversos;
  • Revisar prioridades do plano de diversidade, assim como o plano ambiental e ESG, para que as metas incluam compras de pessoas e empreendimentos diversos;
  • Indicar aquelas pessoas e serviços de boa qualidade e bom atendimento;
  • Colher dados para evidenciar que o investimento na área de compras está contribuindo para fortalecer os investimentos realizados em ESG e DEIP na empresa;

Por fim, Keyllen defende que essa sinergia na cadeia de valor é positiva para organizações, pessoas colaboradoras, prestadoras de serviços e que todo esse conjunto de iniciativas traz impactos socioeconômicos positivos. “O grande desafio é sair da inércia e assumir o compromisso de ser agente da mudança”, explica.
 

Formada por mulheres representativas de perfis e competências diferentes e complementares, a consultoria atua para diagnosticar, ampliar e manter a Diversidade, Equidade, Inclusão e Pertencimento (DEIP) das organizações parceiras, contribuindo para criar uma cultura humanizada e acolhedora das diferenças.

Com atuação global, seu objetivo é possibilitar que as empresas criem oportunidades e condições para que perfis diversos façam, verdadeiramente, parte do time, criando um universo plural de pessoas colaboradoras.

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