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14 de maio. O Dia depois para sempre

14 de maio. O Dia depois para sempre

Reprodução: Internet

“14 de maio de 1888 é o dia mais longo da história”. A afirmativa do Prof. Hélio Santos chama a atenção para as consequências da “benfeitoria jurídica” que há 136 anos vem sendo desmitificada. Nas escolas, era ensinado que 13 de maio era dia celebração pela libertação dos negros escravizados. O que demorou a ser dito eram as condições de desprezos e abandono que a assinatura da Lei Áurea proporcionou e seus reflexos que perduram na sociedade até os dias atuais.  

Para o Dr. Hélio Santos, a Lei Áurea é talvez uma das peças jurídicas mais “lacônica” do Brasil. Escrita em Português arcaico, o documento que continha um Artigo e um único parágrafo registrava também a ausência de um segundo parágrafo enfatizando a responsabilidade do Império com “políticas de inclusão” que assegurassem aos negros libertos condições mínimas de sobrevivência.

Livres e sem auxílio ou qualquer reparação pelos séculos de trabalhos escravos, a historiadora Aline Assis lembra que o processo de “liberdade” foi gradativo. “É posto que no dia seguinte ao 13 de maio, foi de libertação festiva e de “vadiagem” porque alguns negros abandonaram as lavouras mesmo sem saber qual o encaminhamento daria para suas vidas e outros permaneceram nas suas dinâmicas de trabalho pois não se tinha orientação do que seria feito após aquele marco jurídico”, comenta ao lembrar que as condições socioeconômicas atuais ditam que não estamos livres como definiu a lei assinada há mais de um século.

Defensor da equidade racial no Brasil, Professor Hélio Santos, descreve a questão racial como estratégica no Brasil e lembra das mudanças a partir das conquistas, como políticas afirmativas como sistema de cotas. 

Ao assistir uma entrevista do Professor Hélio Santos sobre o dia 14 de maio, o cantor Lazzo Matumbi em parceria com o saudoso poeta Jorge Portugal comporam a música intitulada pela data histórica. “Eu tive a honra e felicidade de dar vida musical com a certeza de que uma gravação musical chegaria mais rápido ao ouvido de todos e,  assim aconteceu.  Como um raio, pronto para reflexão necessária das pessoas, para uma das questão mais importante da nossa sociedade, que era falar sobre os moldes cruéis e errados da formação na sociedade brasileira. Acredito que nos dias atuais essa reflexão seja mais que necessária, se quisermos reconstruir um novo modelo de sociedade muito mais respeitosa, justa, igualitária e digna para os nossos filhos e netos”, comenta o artista. Lazzo Matumbi cantou 14 de maio na cerimônia do Senado Federal, em 2016, onde ao recebeu a Comenda Abdias Nascimento ao lado do Instituto de Mulheres Negras de Mato Grosso (Imune), da atriz Zezé Motta e o percussionista Naná Vasconcelos (in memoriam).

Confira o discurso na integra abaixo:

Texto: Aní Bárbara

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